SÃO PAULO - No ano em que a economia deve crescer mais de 7%, em um ambiente de inflação ao redor de 4,5%, trabalhadores das categorias mais organizadas no País se preparam para embolsar os ganhos reais de salários mais polpudos das últimas décadas. Os metalúrgicos de montadoras do ABC paulista saíram na frente, mas acompanhados de perto por outras categorias.
Uma delas é a dos petroleiros do sistema Petrobras. Assim como os metalúrgicos do ABC, que conquistaram, na semana passada, o maior aumento real da história da categoria - de 6,26%, mais reposição da inflação de 4,29%, num total de 10,81% -, a campanha salarial dos petroleiros também resultou em ganhos históricos para a categoria, de até 4,65% acima da inflação.
Nos 15 anos em que o Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) acompanha os resultados de acordos e convenções coletivas no País, 2010 deverá apresentar a maior quantidade de aumentos reais acima de 5%. Na semana passada, eles já somavam 17, o equivalente a 5,7% do painel de 299 negociações analisadas este ano.
Até agora, o melhor ano foi 1996, quando 6,9% das negociações resultaram em ganhos reais acima de 5%. "Como o ano ainda não acabou, e o segundo semestre concentra a data-base das categorias mais organizadas do País, eu não teria dúvida em afirmar que vai ganhar de 1996", diz o economista Sérgio Mendonça, do Dieese. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.
terça-feira, 19 de outubro de 2010
quarta-feira, 6 de outubro de 2010
Profissional do futuro deve focar o céu e a terra
Por Fábio Pescarini
Recém saído da adolescência, Rogério Amaral espera que a parceria entre o setor de aviação executiva da TAM e a Prefeitura de Jundiaí, no interior de São Paulo, saia do papel. A empresa aérea e o poder público municipal já encaminharam estudos ao MEC (Ministério da Educação) para a criação de um curso técnico de mecânico de aviões.
Tanto Rogério quanto a TAM sabem do potencial da profissão e da falta de gente especializada para trabalhar em um mercado que voa em velocidade de cruzeiro - só para citar como exemplo, a empresa aérea mantém na cidade do garoto uma oficina com capacidade para dar manutenção a 90 jatos executivos, particulares e públicos, por mês, e de onde, como seus executivos costumam dizer, taxiam aviões com passageiros que integram boa parte do PIB nacional.
• Especial mercado de trabalho
"Já li diversas vezes em jornais sobre a criação de um curso técnico para trabalhar em oficina de aeronaves. Como sempre fui um apaixonado por aviões, espero que as aulas comecem logo", afirma Rogério. "Quem sabe no futuro não serei eu mesmo quem vai dar manutenção no meu próprio avião?", almeja o garoto, que talvez consiga fazer sua matrícula em 2011, se o planejamento feito até agora for cumprido.
Mas sonhar alto não significa precisar tirar os pés do chão. Não há dúvidas que com a onda de sustentabilidade no planeta, aquele que meter a mão no lixo tem tudo para ser um profissional de sucesso daqui alguns anos. Mas não olhe o carroceiro de papelão que passa à sua frente hoje como o milionário de amanhã. Ele faz parte de uma cadeia planejada pelo lixólogo, ou gestor de resíduos, como esse executivo gosta de ser chamado.
Esta é uma das carreiras com potencial de sucesso elevado, segundo estudo realizado pelo Ieat (Instituto de Estudos Avançados Transdisciplinares), da UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais), que fez um ranking com 80 profissões com chance de alta empregabilidade - nanotecnologia e especialidades em ética são outros campos bem cotados na pesquisa.
A consultoria britânica FastFuture também promoveu recente estudo sobre profissões com potencial no futuro em 58 países e numerou 107. Algumas curiosas são: cirurgiões que conseguem ampliar a memória de seus pacientes, policiais do clima e guias turísticos espaciais.
Durante a apresentação do ranking da UFMG, Carlos Brandão, diretor do Ieat, afirmou que o estudo apontou a necessidade de um profissional flutuar por mais de um campo do conhecimento.
E aí o Brasil tem uma grande questão para resolver. Recente manchete do jornal norte-americano Miami Herald apontou que a fraca educação no país impede que ele se torne uma potência global. A reportagem do jornal norte-americano afirmou que grandes empresas desistiram de fazer investimentos no Brasil pela falta de mão de obra especializada. E que outras chegam a importar profissionais.
Portanto, se você não quer ver um gringo sentado na vaga que deveria ser sua, fique atento a algumas profissões com futuro promissor:
Economia agroindustrial
Curso de ciência econômica para auxiliar na gestão do agronegócio, segmento que tem firmado o país como potência.
Gestão de resíduos
Acompanha a emissão e dá soluções para eliminação de resíduos em vários segmentos, desde o orgânico que produzimos em casa, até químicos, industriais e da construção civil.
Nanotecnologia
O nanotecnólogo é capaz de projetar microrrobôs para as mais diversas finalidades, de explorações geológicas a operações no corpo humano. E o nanocirurgião irá operar esses nanorobôs para realizar intervenções cirúrgicas.
Mecânico de aeronaves Anote alguns números antes de pensar em colocar a mão na graxa. Só nos aeroportos administrados pela Infraero, são dois milhões de pousos e decolagens por ano, com trânsito de 113 milhões de passageiros. Existem inúmeros cursos particulares técnicos e também ensino superior tecnólogo em São Paulo, Minas Gerais e no Paraná.
DJ
Instituições como o Senac há anos mantêm cursos técnicos para formação de DJs. Mas já há graduação superior (a Faculdade Anhembi Morumbi é uma que aposta neste mercado). Com duração de dois anos, a formação vai muito além de garantir o batidão das baladas. O profissional de música eletrônica tem mercado para produzir arranjos, realizar gravações, mixagens e masterizações para músicos e cantores, produzir trilhas sonoras e garantir o som de eventos.
Recém saído da adolescência, Rogério Amaral espera que a parceria entre o setor de aviação executiva da TAM e a Prefeitura de Jundiaí, no interior de São Paulo, saia do papel. A empresa aérea e o poder público municipal já encaminharam estudos ao MEC (Ministério da Educação) para a criação de um curso técnico de mecânico de aviões.
Tanto Rogério quanto a TAM sabem do potencial da profissão e da falta de gente especializada para trabalhar em um mercado que voa em velocidade de cruzeiro - só para citar como exemplo, a empresa aérea mantém na cidade do garoto uma oficina com capacidade para dar manutenção a 90 jatos executivos, particulares e públicos, por mês, e de onde, como seus executivos costumam dizer, taxiam aviões com passageiros que integram boa parte do PIB nacional.
• Especial mercado de trabalho
"Já li diversas vezes em jornais sobre a criação de um curso técnico para trabalhar em oficina de aeronaves. Como sempre fui um apaixonado por aviões, espero que as aulas comecem logo", afirma Rogério. "Quem sabe no futuro não serei eu mesmo quem vai dar manutenção no meu próprio avião?", almeja o garoto, que talvez consiga fazer sua matrícula em 2011, se o planejamento feito até agora for cumprido.
Mas sonhar alto não significa precisar tirar os pés do chão. Não há dúvidas que com a onda de sustentabilidade no planeta, aquele que meter a mão no lixo tem tudo para ser um profissional de sucesso daqui alguns anos. Mas não olhe o carroceiro de papelão que passa à sua frente hoje como o milionário de amanhã. Ele faz parte de uma cadeia planejada pelo lixólogo, ou gestor de resíduos, como esse executivo gosta de ser chamado.
Esta é uma das carreiras com potencial de sucesso elevado, segundo estudo realizado pelo Ieat (Instituto de Estudos Avançados Transdisciplinares), da UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais), que fez um ranking com 80 profissões com chance de alta empregabilidade - nanotecnologia e especialidades em ética são outros campos bem cotados na pesquisa.
A consultoria britânica FastFuture também promoveu recente estudo sobre profissões com potencial no futuro em 58 países e numerou 107. Algumas curiosas são: cirurgiões que conseguem ampliar a memória de seus pacientes, policiais do clima e guias turísticos espaciais.
Durante a apresentação do ranking da UFMG, Carlos Brandão, diretor do Ieat, afirmou que o estudo apontou a necessidade de um profissional flutuar por mais de um campo do conhecimento.
E aí o Brasil tem uma grande questão para resolver. Recente manchete do jornal norte-americano Miami Herald apontou que a fraca educação no país impede que ele se torne uma potência global. A reportagem do jornal norte-americano afirmou que grandes empresas desistiram de fazer investimentos no Brasil pela falta de mão de obra especializada. E que outras chegam a importar profissionais.
Portanto, se você não quer ver um gringo sentado na vaga que deveria ser sua, fique atento a algumas profissões com futuro promissor:
Economia agroindustrial
Curso de ciência econômica para auxiliar na gestão do agronegócio, segmento que tem firmado o país como potência.
Gestão de resíduos
Acompanha a emissão e dá soluções para eliminação de resíduos em vários segmentos, desde o orgânico que produzimos em casa, até químicos, industriais e da construção civil.
Nanotecnologia
O nanotecnólogo é capaz de projetar microrrobôs para as mais diversas finalidades, de explorações geológicas a operações no corpo humano. E o nanocirurgião irá operar esses nanorobôs para realizar intervenções cirúrgicas.
Mecânico de aeronaves Anote alguns números antes de pensar em colocar a mão na graxa. Só nos aeroportos administrados pela Infraero, são dois milhões de pousos e decolagens por ano, com trânsito de 113 milhões de passageiros. Existem inúmeros cursos particulares técnicos e também ensino superior tecnólogo em São Paulo, Minas Gerais e no Paraná.
DJ
Instituições como o Senac há anos mantêm cursos técnicos para formação de DJs. Mas já há graduação superior (a Faculdade Anhembi Morumbi é uma que aposta neste mercado). Com duração de dois anos, a formação vai muito além de garantir o batidão das baladas. O profissional de música eletrônica tem mercado para produzir arranjos, realizar gravações, mixagens e masterizações para músicos e cantores, produzir trilhas sonoras e garantir o som de eventos.
Profissões 'esquisitas' ganham espaço no mercado
Por Jose Carlos Saecheta
Costuma-se dizer que o brasileiro é criativo por natureza. No mercado profissional, então, com a concorrência desenfreada constatada nas últimas décadas, a criatividade pode ser considerada sinônimo de sucesso. E a falta dela, de fracasso. No Ministério do Trabalho estão registradas mais de duas mil profissões diferentes, algumas bem incomuns e inusitadas. E outras nem existem nas estatísticas oficiais, como "personal friend", marido de aluguel ou o especialista em lixo. É isso mesmo. Acredite, estas funções são reais e há gente que ganha dinheiro com elas.
Os serviços personalizados surgem de acordo com as necessidades de consumidores e clientes, e é aí que entra a criatividade brasileira. Muita gente prefere pagar para não ter nenhum tipo de preocupação, ou mesmo para receber um tratamento individual e exclusivo. O tal marido de aluguel é um profissional que faz de tudo, menos sexo. São vários serviços, aquilo que qualquer marido (o de verdade) poderia realizar em casa, mas não faz, por falta de habilidade ou ferramentas. Um profissional desses cobra, em média, R$60 a hora para ser motorista, garantir reparos elétricos e outros afazeres domésticos.
Já o personal friend é aquele que tem como objetivo curar a carência, e aqui também não entra sexo no pacote. O leque de trabalhos se estende a idas a shoppings, teatros, cinemas, viagens, casamentos, aniversários, lançamento de livros, escolha de apartamento, compra de automóvel e caminhadas, entre outros passeios.
Essas profissões representam o lado glamuroso do mercado de trabalho "diferente", digamos. Agora, você toparia escalar prédios e torres para fazer manutenção e limpeza? Sem trocadilho, este é um mercado em alta, tendo em vista que, cada vez mais, os prédios estão sendo revestidos com vidros (por questões ambientais). Em um futuro próximo, estes vidros serão inteligentes e terão células de captação de energia solar e, assim, precisarão estar cada vez mais limpos.
Outras profissões estranhas também rendem um bom adicional de insalubridade, se pago pelas empresas, lógico. Uma delas é o "cheirador". No bom sentido, claro. Na Volkswagen há uma equipe empenhada em diminuir ao máximo os odores dos veículos. Ela usa o olfato para analisar se o consumidor terá razão ao reclamar do estofamento ou de outras partes do automóvel, caso ele fique exposto ao sol por algum tempo. Itens como tapetes, revestimentos de teto e espumas de banco são cheirados um a um e classificados em uma escala de seis níveis, de "inodoro" a "insuportável". As peças são colocadas em vidros e submetidas a temperaturas de até 80º. Se o produto não passar na avaliação, a empresa entra em contato com o fornecedor e solicita modificações. Caso aprovado, segue para a linha de produção.
No caso de especialista em lixo, esse profissional vai aos lixões coletar material para analisar os padrões de consumo da sociedade, cavando poços entre os dejetos e pesquisando toneladas de resíduos. Tudo isso para descobrir que fraldas formam 2% do lixo humano de grandes cidades, enquanto o papel equivale a 45%.
Para quem não quer pegar no pesado, uma profissão recente está ganhando muito espaço. Que tal trabalhar com pôquer? O Brasil vive um momento de popularização deste jogo. Das programações da TV às novas lojas e fóruns voltados ao assunto, o que mais chama a atenção é o investimento das empresas donas das maiores salas do mundo no país. São eventos, ações de marketing e promoções exclusivas para jogadores nacionais. O trabalho está sendo bastante lucrativo para quem sabe jogar. E isso não é uma aposta. É negócio.
Costuma-se dizer que o brasileiro é criativo por natureza. No mercado profissional, então, com a concorrência desenfreada constatada nas últimas décadas, a criatividade pode ser considerada sinônimo de sucesso. E a falta dela, de fracasso. No Ministério do Trabalho estão registradas mais de duas mil profissões diferentes, algumas bem incomuns e inusitadas. E outras nem existem nas estatísticas oficiais, como "personal friend", marido de aluguel ou o especialista em lixo. É isso mesmo. Acredite, estas funções são reais e há gente que ganha dinheiro com elas.
Os serviços personalizados surgem de acordo com as necessidades de consumidores e clientes, e é aí que entra a criatividade brasileira. Muita gente prefere pagar para não ter nenhum tipo de preocupação, ou mesmo para receber um tratamento individual e exclusivo. O tal marido de aluguel é um profissional que faz de tudo, menos sexo. São vários serviços, aquilo que qualquer marido (o de verdade) poderia realizar em casa, mas não faz, por falta de habilidade ou ferramentas. Um profissional desses cobra, em média, R$60 a hora para ser motorista, garantir reparos elétricos e outros afazeres domésticos.
Já o personal friend é aquele que tem como objetivo curar a carência, e aqui também não entra sexo no pacote. O leque de trabalhos se estende a idas a shoppings, teatros, cinemas, viagens, casamentos, aniversários, lançamento de livros, escolha de apartamento, compra de automóvel e caminhadas, entre outros passeios.
Essas profissões representam o lado glamuroso do mercado de trabalho "diferente", digamos. Agora, você toparia escalar prédios e torres para fazer manutenção e limpeza? Sem trocadilho, este é um mercado em alta, tendo em vista que, cada vez mais, os prédios estão sendo revestidos com vidros (por questões ambientais). Em um futuro próximo, estes vidros serão inteligentes e terão células de captação de energia solar e, assim, precisarão estar cada vez mais limpos.
Outras profissões estranhas também rendem um bom adicional de insalubridade, se pago pelas empresas, lógico. Uma delas é o "cheirador". No bom sentido, claro. Na Volkswagen há uma equipe empenhada em diminuir ao máximo os odores dos veículos. Ela usa o olfato para analisar se o consumidor terá razão ao reclamar do estofamento ou de outras partes do automóvel, caso ele fique exposto ao sol por algum tempo. Itens como tapetes, revestimentos de teto e espumas de banco são cheirados um a um e classificados em uma escala de seis níveis, de "inodoro" a "insuportável". As peças são colocadas em vidros e submetidas a temperaturas de até 80º. Se o produto não passar na avaliação, a empresa entra em contato com o fornecedor e solicita modificações. Caso aprovado, segue para a linha de produção.
No caso de especialista em lixo, esse profissional vai aos lixões coletar material para analisar os padrões de consumo da sociedade, cavando poços entre os dejetos e pesquisando toneladas de resíduos. Tudo isso para descobrir que fraldas formam 2% do lixo humano de grandes cidades, enquanto o papel equivale a 45%.
Para quem não quer pegar no pesado, uma profissão recente está ganhando muito espaço. Que tal trabalhar com pôquer? O Brasil vive um momento de popularização deste jogo. Das programações da TV às novas lojas e fóruns voltados ao assunto, o que mais chama a atenção é o investimento das empresas donas das maiores salas do mundo no país. São eventos, ações de marketing e promoções exclusivas para jogadores nacionais. O trabalho está sendo bastante lucrativo para quem sabe jogar. E isso não é uma aposta. É negócio.
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